Olha só, qual o problema? Só porque foi bom enquanto durou? Só porque tudo o que é bom dura o tempo necessário para se tornar inesquecível? Só porque existe uma incompatibilidade ideológica explícita? Só porque eu gostei? Claro, óbvio. Foi por isso. Porque é sempre assim, se eu tivesse achado horrível, não tivesse gostado nem um pouco, estivesse decepcionada ou algo do gênero, a esta hora provavelmente meu tijolo estaria agitado... Mas não, eu fui inventar de gostar e de demonstrar que gostei e deu no que deu. Mas do que estou falando, claro que estou decepcionada...
Estava decidida a jogar, e estava até indo bem até que resolvi ser um pouco transparente: para quê? Para isto?! Se eu soubesse, não teria deixado de jogar... bem que podia ser diferente. Mas se fosse diferente eu estaria apavorada, e não poderia haver tanta incompatibilidade ideológica. Se fosse diferente, não seriam as mesmas pessoas, nem os mesmos lugares, nem o mesmo contexto e na verdade não seria nada, porque provavelmente eu não teria gostado... mas gostar é diferente de amar (e lá vamos nós conceituar e rotular sentimentos). Só que se coloca tudo no mesmo saco e a embalagem é muito parecida - devemos admitir - mas não é a mesma coisa, só que para perceber a diferença na essência, há que se ter essência também, e se houvesse tanta essência, seria diferente...
Se fosse diferente eu estaria de mãos atadas, e teria a obrigatoriedade de admitir que nem todos os homens são iguais e grande parte das minhas teorias feministas teriam de ir por água abaixo, viu só como eles são legais! Isso só continua a acontecer para que eu continue com as minhas convicções meio alternativas. Uau! Como as pessoas não vão pisar em você, a não ser que você se deite...
Pois então, decidi de novo: vou voltar a jogar, pois, quem sabe assim encontro alguém que vença, ou empate, ou alguém que queira mudar as regras do jogo, ou alguém criativo o suficiente para jogar diferente, ou se jogar comigo... vou tentar, pelo menos... eu estava quase saindo da casca, quase me lançando na transparência sentimental, mas ainda não, ainda não...
Seja como for, eu só queria chocolate... não quero chá, não quero café, não quero coca-cola, me liguei no chocolate...
Na verdade eu queria escrever sobre minha alegria
Não, sobre meu receio
Não, sobre minha tristeza
Não, sobre a chuva
Não, sobre o carnaval
Não, sobre a formatura
Não, sobre a chuva
Não, sobre se joga
Não, sobre a colação
Não, sobre entressafra
Não, sobre minha euforia
Não, sobre cócegas
Não, sobre meu bolo
Não, sobre minha ressaca
Não, sobre a chuva
Não, sobre o sol
Não, sobre a falta do sol
Não, sobre a vírgula
Não sobre a vírgula
Não sobre a falta do sol
Não sobre o sol
Não sobre a chuva
Não sobre nada
Não, sobre nada.
Estava procurando não sei o que num site de músicas e deparei com esta, que se refere a uma composição dos Tribalistas. Nunca ouvi, nem sei se é deles ou de algum deles, o que importa é que traduz perfeitamente minha dor de cotovelo. Um brinde ao meu fim de semana (que podia muito bem ser uma segunda-feira).
A carta que nunca te escrevi Tribalistas
Desde o começo não sei quem és
No fundo não te conheço
Se calhar sou a culpada, se calhar até mereço,
Quis confiar em ti mas não deixaste ou não quiseste,
Imagino as coisas que tu nunca me disseste
Às vezes queria ser mosca e voar por aí,
Pousar em ti,
Ouvir o que nunca ouvi,
Ver o que nunca vi nem conheci
Saber se pensas em mim quando não estás comigo,
Será que és meu amigo como eu sou tua amiga?
Será que falas mal de mim nas minhas costas?
Há coisas em ti que tu não mostras ou já não gostas,
Quantas vezes te pedi para seres sincero
Quem me dera!
Imagino tanta coisa enquanto estou à tua espera
Apostei tudo o que tinha,
Saí a perder sem perceber
Surpreendido por quem pensei conhecer,
Sem confiança a relação não resiste,
O amor não existe
Quando mentiste não fiquei zangada, mas triste...
Não peço nada em troca, apenas quero sinceridade,
Por mais que doa e difícil que seja, venha a verdade
Será que me enganas, será que chamas a outra do que me chamas?
Será que alguém te toca em segredo, será que é medo?
Será que pra ti não passo de mais um brinquedo?
Será que exagero, será que não passa de imaginação?
Será que é o meu nome que tens gravado no coração ou não?
Eu sou a merda que vês
Ao menos sabes quem sou
E sabes que tudo o que tenho é tudo aquilo que te dou,
Nunca prometi mais do que podia,
Prefiro encarar a realidade a viver na fantasia...
Também te magoei, mas nunca foi essa a intenção
E acredita que ver-te infeliz partiu-me o coração,
Mas errar é humano e eu dou o braço a torcer,
Reconheço os meus erros,
Sei que já te fiz sofrer
Porque é que não me olhas nos olhos quando pedes perdão?
Será que por saberes que neles vejo o reflexo do teu coração?
E os olhos não mentem quando a boca o faz,
E se ainda não me conheces,
Então nunca conhecerás,
Serás capaz de fazer o que te peço?
Desculpa-me ser mal educada quando stresso, assim me expresso...
Sou fria, praguejo o excesso
Se conseguíssemos dialogar, já seria um progresso,
A chama enfraquece e está a morrer aos poucos
Porque é que é assim?
Será que estamos a ficar loucos?
Acho que nunca soubeste o quanto gostei de ti...
Esta é a carta que eu nunca te escrevi!!!
Há anos, durante os verões em todo o mundo, que esse fenômeno se repete. Na Ásia, Europa e com maior influência nas camadas populares nos Estados Unidos, graças ao maior desenvolvimento do mercado de consumo e, notadamente, de estratégia fonográfica por lá, ele é mais perceptível.
Estamos tratando dos chamados 'hits de verão'. Músicas especialmente compostas pra vender e milimetricamente compassadas para penetrar melhor no gosto comum da massa.
Recentemente, um estudo feito na Alemanha pelo instituto Goeths Fritchzland, comprovou que tal música funciona como um vírus cerebral que quando captado pelo hipotálamo, leva uma mensagem de repetição ao cérebro. Claro que tal estudo ainda está em fase de comprovação científica mais aprofundada e, portanto, ainda não é aceito pela comunidade global. O fato é que os hits estão por aí nas rádios, televisões e principalmente na boca da galera.
Pelas bandas brazucas, os hits de verão chegam nos mais variados estilos. Quem não se lembra do impagável 'arruma a mala aí que a rural vai desabar'? O que dizer então do 'vem, neném' do rebolativo Xandi? Meninas, meninos e crianças cantaram e dançaram como se o mundo fosse acabar depois do carnaval. Houve até quem dissesse que o Moreno (da Ivete) era a coisa mais linda do carnaval... Houvesse ao fundo o coro feminino gritando... E que coisa!!!
Talvez o funk represente a maior febre de hits já visto até hoje. Tchutchucas, tigrãos e pocotós embalaram verões inteirinhos.
Sem o forte apelo do mercado fonográfico, uma característica desse fenômeno no Brasil é que ele surgiu dos bailes, encontro de amigos e em rodas de sacanagem mesmo. Para, a partir daí, invadir os meios de comunicação mais expressivos.
E, talvez aí, podemos estar presenciando o que pode vir a ser o maior fenômeno de todos os tempos: o 'Foda-se o PG'. Um misto de sambafunk com pitadas de rockscraxo massa pra caralho, que não se sabe ao certo quem o inventou. O 'Foda-se o PG!' é mais que um hit: é poético. Um acalanto, um tapa na melancolia, ou não. Um sopro na tristeza, a saudade de um companheiro ausente. É um grito de liberdade e felicidade.
De rima fácil sem ser pegajoso, o hit tomou conta da galera e já é um dos mais cantados pelos foliões e boêmios saudosistas de um tempo... que parece estar voltando.
Estamos presentes do nascimento de um ícone da cultura popular desse país, 'Foda-se o PG!' Se você ainda não cantou, cante. Se não dançou.dance. Faça coro, junte a galera e 'Foda-se o PG!' Como pregou Veríssimo, o 'foda-se' deveria ser um direito constitucional, e 'Foda-se o PG!'